Escrito por
Gabriela Radin

Tempo de leitura
5min

Publicado em
04.05.2026


Última atualização
04.05.2026


O evento acabou. E agora, o que ficou da marca?


Uma análise sobre diferenciação competitiva e o momento para nivelar a percepção da marca em eventos físicos.


Eventos de mercado são, em teoria, uma das maiores oportunidades de visibilidade para uma marca.

Desde 2023, o universo de eventos e experiências de marca tornou-se uma parte fundamental do meu repertório. Minha primeira imersão nesse formato foi colaborar na concepção do estande da Samsung na BGS, o maior daquela edição da feira. Desde então, atuei na direção de eventos perenes, na construção de marcas para as próprias agências e produtoras e nas marcas de eventos, como o Rio2C e SP2B.

Trabalhar nos bastidores de operações tão complexas me ensinou exatamente o rigor necessário para se construir uma experiência memorável na mente da comunidade, dos patrocinadores ou parceiros.

Porém, ao caminhar pelos pavilhões de diversas feiras recentes e observar o mercado de fora, uma percepção tem ficado inegável: no final do dia, o público passa por dezenas de estandes e não lembra da maioria.

E, quando todo mundo comunica igual, ninguém se destaca. E os números levantados pelo estudo da Trade Show Labs (CEIR), confirmam que apenas 6% dos expositores se dizem confiantes em converter leads efetivamente em eventos.

Em outras palavras:

Apenas estar presente não garante resultado.
É necessário que essa presença tenha uma estratégia clara e que a sua marca comunique valor antes mesmo de alguém parar no seu estande.


Por que eventos revelam o que a marca é
Um evento de mercado é um dos poucos momentos em que a sua marca compete em tempo real, lado a lado com concorrentes diretos e indiretos, pelo mesmo público e no mesmo espaço.

E o que esse canal revela, na maioria das vezes, é significativo: sem um posicionamento claro e uma identidade consistente, a marca se dissolve no ruído.

Vira mais um logo num crachá, mais um brinde na sacola ou mais um aperto de mão sem continuidade.
O problema raramente está na execução do evento e, geralmente, está no que veio antes (ou no que deveria vir mas nunca foi construído).

Eventos são testes de percepção da marca.

Mais do que uma oportunidade de visibilidade, um evento é um diagnóstico preciso do posicionamento da sua marca.


Uma perspectiva do efeito comoditização nos eventos
Quando a marca não comunica sua diferenciação, o público instintivamente recorre ao único critério que consegue comparar com facilidade: o preço.

Esse é o caminho mais curto para a comoditização. E eventos aceleram esse processo porque comprimem a jornada de percepção uma vez que, em minutos, o visitante forma uma opinião sobre dezenas de marcas em apenas um corredor.

Se a sua não se destaca visualmente, verbalmente e pelo posicionamento que a diferencia, ela entra automaticamente na categoria genérica e se torna mercadoria. E marcas genéricas competem por preço, não por valor.

Um estudo da Havas Group revelou que:

 77% das marcas poderiam desaparecer e a maioria dos consumidores simplesmente não se importaria.

Num evento, esse risco se materializa em tempo real. E, o que deveria ser uma vitrine de valor passa a ser percebido como mais uma opção entre tantas.



O evento como termômetro de marca
Mais do que uma oportunidade de visibilidade ou um ponto de contato com a comunidade e com o público, um evento é um diagnóstico preciso do posicionamento ou falta de posicionamento da sua marca.

E o mercado já sinalizou onde está o problema, segundo pesquisa da Cvent:

94% dos profissionais de marketing acreditam que sua empresa falha em converter leads de eventos em oportunidades reais.

Mais uma vez, uma situação que deixa claro que quando a marca não comunica com clareza quem é e para quem serve, o lead gerado no evento não tem qualidade porque as pessoas certas não foram atraídas, afetando diretamento as vendas, o comercial e o ROI encima do investimento em estar presente em um evento.

Preste atenção nos sinais que o último evento deixou:


  • As pessoas entendiam imediatamente o que sua empresa faz e para quem é? E qual é o seu diferencial?
  • As conversas evoluíam com naturalidade ou havia um esforço constante de convencimento?
  • Os contatos gerados tinham o perfil que você queria?
  • A marca está preparada para um próximo evento?

Cada uma dessas respostas é um dado. E cada dado é ponto de partida para decisão.


    Pós-evento: a janela que a maioria desperdiça 

    O período imediatamente após um evento é um dos momentos mais valiosos e mais ignorados na construção de marca. O mercado acabou de te ver, ou seja, a percepção está fresca

    É o momento ideal para avaliar com honestidade o que a marca comunicou versus o que pretendia comunicar, identificar onde houve ruído ou indiferença, e decidir se o que foi apresentado reflete quem a empresa realmente é hoje.

    Se a resposta for desconfortável, isso não é um problema mas, sim, um ponto de partida.


    Quando o evento mostra que é hora de reconstruir


    Alguns sinais merecem atenção depois de um evento:


    • A equipe teve dificuldade em explicar o diferencial da empresa de forma clara e consistente.
    • As operações na produção e briefing de parceiros foi longa e com refações, pois a marca não possuia manuais atualizados.
    • O potencial cliente não compreendou as soluções e a proposta de valor, muito menos entendeu o diferencial.
    • Os contatos gerados não tinham o perfil ideal.
    • O visual não se destacava no ambiente ou poderia ser confundido com o de um concorrente.
    • A sensação predominante no time foi de esforço e investimento desproporcional para um retorno abaixo do esperado.
    • O CAC foi muito alto e o ROI muito baixo.








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